Vais buscá-lo à escola. Sai calado, ou sai a chorar por tudo.
— Aconteceu alguma coisa?
— Não.
E é verdade. Ninguém lhe fez nada. Foi um dia normal, numa turma onde alguém estava zangado, alguém estava triste, e a professora estava cansada.
Ele apanhou tudo. No Human Design, isto chama-se ter o plexo solar aberto, e explica muitos dias assim.
Uma onda que não é dele
O plexo solar é o centro das emoções, e funciona em onda: sobe e desce. Cerca de metade das pessoas tem-no aberto.
Com o plexo aberto, ele não tem uma onda própria. Apanha a dos outros, e sente-a maior do que ela é.
Isto não é fragilidade. É a maneira dele de funcionar.
Como se nota, idade a idade
Bebé. Chora quando tu estás em baixo, mesmo que não tenhas dito nada. Nesta idade, é o sinal mais fiável.
Dos 3 aos 6. Desregula-se quando há tensão em casa, mesmo que ninguém tenha discutido à frente dele.
Idade escolar. Evita conflitos a todo o custo, e diz que sim para não chatear ninguém. Chega da escola arrasado pelo ambiente da turma, e não por alguma coisa que lhe tenha acontecido.
Adolescência. Passa a ser quem gere as emoções de todos os amigos. E esgota-se.
Em casa, o que mais pesa
É o centro que mais pesa numa casa com crianças. A tua tristeza chega-lhe mais forte do que a sentes tu.
Se tens o plexo solar definido, ele vive a tua onda todos os dias, e vive-a aumentada. (É o centro de que falámos no artigo «Ele diz que quer e, dois dias depois, já não quer»: o que tem onda própria.)
Isto não é uma acusação. Ninguém cria filhos sem dias maus. É só a explicação para os dias em que ele desmorona sem motivo aparente: o motivo estava no ar.
O sinal a que vale a pena estar atenta
O sinal é evitar o confronto e a verdade.
E há um padrão muito próprio: gastar a energia toda a agradar aos outros, em vez de a usar para fazer o que ele quer.
Repara em dizer sim para não desagradar, em ficar mal depois de estar com certas pessoas, em dores de barriga nos dias de tensão, e em não conseguir dizer que está zangado.
E se tu também o tiveres aberto?
Então sentes tudo o que se passa em tua casa, e sentes mais forte do que quem o está a sentir.
Na maternidade isto é duríssimo. A birra do teu filho não te chega como um comportamento a gerir. Chega como uma onda dentro do peito. E depois julgas-te por teres reagido mal.
Não reagiste mal. Reagiste ao que sentiste, e o que sentiste era grande de mais para ser só teu.
Da próxima vez que a onda vier, vale a pena perguntares: isto que estou a sentir é meu, ou apanhei?
Para lembrar
Se o ambiente está pesado, ele já sabe. Falta-lhe ouvir que não é culpa dele.
Para saberes se o plexo solar do teu filho é aberto, faz o gráfico dele: precisas da data, da hora e do sítio de nascimento. E, se quiseres ver o que fazer com isto no dia a dia — o sono, a comida, a energia, e o que se passa entre vocês —, é isso que está no relatório. Há um exemplo em PDF para veres antes. E, se fizeres também o teu, o mapa da família mostra onde as vossas ondas se encontram.