Há crianças que aguentam uma tarde inteira de brincadeira e ainda pedem mais. Há outras que desabam ao fim do dia, sem aviso. Há as que se levantam e fazem, sem perguntar a ninguém. E há as que, de um dia para o outro, parecem outra criança.
Muitas vezes nada disto é mau comportamento. É a maneira de cada uma funcionar.
O Human Design parte da data, da hora e do sítio de nascimento, e descreve cinco tipos. Cada um tem uma maneira própria de usar a energia, e um sinal próprio de que as coisas não estão a correr bem. Conhecer o tipo do teu filho não serve para o mudar. Serve para deixares de esperar dele um ritmo que não é o dele.
Gerador: feito para responder
O Gerador tem muita energia, que se renova durante a noite e que precisa de ser gasta durante o dia.
Mas não foi feito para começar. Foi feito para responder. A energia dele acende-se quando alguma coisa lhe aparece à frente. Perante o vazio — «o que é que queres fazer hoje?» — encolhe os ombros.
É por isso que a mesma criança que não sabe escolher o que fazer passa duas horas absorvida numa coisa que lhe apareceu por acaso.
O sinal de alerta é a frustração. Birras ao deitar sem motivo aparente, desistir de tudo a meio, tédio num quarto cheio de brinquedos.
Ele não precisa de mais coisas para fazer. Precisa de gastar o que já tem.
Gerador Manifestante: responde, e arranca
Tem a mesma energia do Gerador, e mais uma coisa: velocidade.
Responde, como qualquer Gerador, mas depois não espera: arranca. E, pelo caminho, salta passos que a maior parte das pessoas cumpriria por hábito. Muitas vezes chega ao fim na mesma.
Por isso ouve tantas vezes «não acabaste nada». O que parece meio acabado é quase sempre uma etapa que ele descobriu que não era precisa.
O sinal de alerta é a frustração, com raiva por cima. E um sinal muito próprio: o corpo esgotado e a cabeça acelerada ao mesmo tempo.
Ele não deixou nada a meio. Descobriu que aquele passo não era preciso.
Manifestador: feito para começar
É o único tipo feito para começar. Levanta-se e faz. Não pergunta, não avisa, não pede autorização.
Não é desobediência. Nele, o impulso e a ação estão ligados diretamente, sem passarem por nenhum sítio onde tu pudesses ter sido consultada.
A energia vem em ondas: arranca com força, faz, e depois precisa mesmo de parar. E há uma coisa que convém saber cedo: um Manifestador travado sem explicação fecha-se.
O sinal de alerta é a raiva, sobretudo depois de ter sido travado. Mas o sinal mais preocupante é o contrário: começar a pedir permissão para tudo e a tentar agradar.
Não preciso que ele peça licença. Preciso que ele avise — e que eu explique quando digo que não.
Projetor: vê as pessoas por dentro
O Projetor não tem uma energia própria e constante. Tem acesso à energia de quem está à volta — e gasta-a como se fosse dele.
Daí o que mais confunde quem o cria: aguenta uma tarde inteira ao pé de outras crianças, cheio de energia, e depois desaba. Estava a usar a energia dos outros, e não a dele.
E tem um dom. Percebe quem está mal antes de alguém o dizer, e diz verdades que desconcertam, para a idade que tem. Por isso precisa de ser reconhecido, e não empurrado.
O sinal de alerta é a amargura. Numa criança, soa a «ninguém liga», «não vale a pena», «eles nunca me escolhem».
Ele não está a exagerar. Está a correr com energia que não é dele.
Refletor: o espelho do sítio onde está
É raro: cerca de uma criança em cada cem. Não tem nada fixo, e por isso reflete o que está à volta.
Num sítio bom, com pessoas bem-dispostas, é luminoso e engraçado. Num sítio tenso, fica irreconhecível. Em casa dos amigos é uma criança; na escola é outra. Não é sensibilidade a mais: é a maneira dele de funcionar.
Para ele, o ambiente e as pessoas não são um pormenor. São tudo.
O sinal de alerta é a deceção: «já não tem piada», «é sempre igual», um desinteresse cinzento por tudo.
Se ele mudou, olha à volta antes de olhares para ele.
Qual é o do teu filho?
Para saberes, precisas da data, da hora e do sítio de nascimento dele. Com isso, o gráfico mostra-te o tipo e explica-o em linguagem do dia a dia — e não precisas de conta.
O tipo é só a primeira peça. O mesmo gráfico mostra também a autoridade, que diz como ele decide, e o perfil. E, se fizeres também o teu, o mapa da família mostra onde a tua maneira de funcionar e a dele se encaixam, e onde atritam.