Os cinco tipos de criança no Human Design

Há crianças feitas para responder, outras para começar, outras para ver e outras para refletir o sítio onde estão. Um retrato simples de cada tipo, e do sinal de que alguma coisa não está bem.

Há crianças que aguentam uma tarde inteira de brincadeira e ainda pedem mais. Há outras que desabam ao fim do dia, sem aviso. Há as que se levantam e fazem, sem perguntar a ninguém. E há as que, de um dia para o outro, parecem outra criança.

Muitas vezes nada disto é mau comportamento. É a maneira de cada uma funcionar.

O Human Design parte da data, da hora e do sítio de nascimento, e descreve cinco tipos. Cada um tem uma maneira própria de usar a energia, e um sinal próprio de que as coisas não estão a correr bem. Conhecer o tipo do teu filho não serve para o mudar. Serve para deixares de esperar dele um ritmo que não é o dele.

Gerador: feito para responder

O Gerador tem muita energia, que se renova durante a noite e que precisa de ser gasta durante o dia.

Mas não foi feito para começar. Foi feito para responder. A energia dele acende-se quando alguma coisa lhe aparece à frente. Perante o vazio — «o que é que queres fazer hoje?» — encolhe os ombros.

É por isso que a mesma criança que não sabe escolher o que fazer passa duas horas absorvida numa coisa que lhe apareceu por acaso.

O sinal de alerta é a frustração. Birras ao deitar sem motivo aparente, desistir de tudo a meio, tédio num quarto cheio de brinquedos.

Ele não precisa de mais coisas para fazer. Precisa de gastar o que já tem.

Gerador Manifestante: responde, e arranca

Tem a mesma energia do Gerador, e mais uma coisa: velocidade.

Responde, como qualquer Gerador, mas depois não espera: arranca. E, pelo caminho, salta passos que a maior parte das pessoas cumpriria por hábito. Muitas vezes chega ao fim na mesma.

Por isso ouve tantas vezes «não acabaste nada». O que parece meio acabado é quase sempre uma etapa que ele descobriu que não era precisa.

O sinal de alerta é a frustração, com raiva por cima. E um sinal muito próprio: o corpo esgotado e a cabeça acelerada ao mesmo tempo.

Ele não deixou nada a meio. Descobriu que aquele passo não era preciso.

Manifestador: feito para começar

É o único tipo feito para começar. Levanta-se e faz. Não pergunta, não avisa, não pede autorização.

Não é desobediência. Nele, o impulso e a ação estão ligados diretamente, sem passarem por nenhum sítio onde tu pudesses ter sido consultada.

A energia vem em ondas: arranca com força, faz, e depois precisa mesmo de parar. E há uma coisa que convém saber cedo: um Manifestador travado sem explicação fecha-se.

O sinal de alerta é a raiva, sobretudo depois de ter sido travado. Mas o sinal mais preocupante é o contrário: começar a pedir permissão para tudo e a tentar agradar.

Não preciso que ele peça licença. Preciso que ele avise — e que eu explique quando digo que não.

Projetor: vê as pessoas por dentro

O Projetor não tem uma energia própria e constante. Tem acesso à energia de quem está à volta — e gasta-a como se fosse dele.

Daí o que mais confunde quem o cria: aguenta uma tarde inteira ao pé de outras crianças, cheio de energia, e depois desaba. Estava a usar a energia dos outros, e não a dele.

E tem um dom. Percebe quem está mal antes de alguém o dizer, e diz verdades que desconcertam, para a idade que tem. Por isso precisa de ser reconhecido, e não empurrado.

O sinal de alerta é a amargura. Numa criança, soa a «ninguém liga», «não vale a pena», «eles nunca me escolhem».

Ele não está a exagerar. Está a correr com energia que não é dele.

Refletor: o espelho do sítio onde está

É raro: cerca de uma criança em cada cem. Não tem nada fixo, e por isso reflete o que está à volta.

Num sítio bom, com pessoas bem-dispostas, é luminoso e engraçado. Num sítio tenso, fica irreconhecível. Em casa dos amigos é uma criança; na escola é outra. Não é sensibilidade a mais: é a maneira dele de funcionar.

Para ele, o ambiente e as pessoas não são um pormenor. São tudo.

O sinal de alerta é a deceção: «já não tem piada», «é sempre igual», um desinteresse cinzento por tudo.

Se ele mudou, olha à volta antes de olhares para ele.

Qual é o do teu filho?

Para saberes, precisas da data, da hora e do sítio de nascimento dele. Com isso, o gráfico mostra-te o tipo e explica-o em linguagem do dia a dia — e não precisas de conta.

O tipo é só a primeira peça. O mesmo gráfico mostra também a autoridade, que diz como ele decide, e o perfil. E, se fizeres também o teu, o mapa da família mostra onde a tua maneira de funcionar e a dele se encaixam, e onde atritam.

E no teu gráfico?

Calcula o teu gráfico — ou o de alguém que te é próximo — e vê o que isto diz sobre ti.

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