Uma festa de anos. Ele corre, ri, brinca com toda a gente durante três horas. Parece que não se cansa nunca.
Chega a casa e desaba. Chora por tudo, não quer jantar, e às oito da noite está num estado que não parece da mesma criança.
Não foi estímulo a mais. No Human Design, este padrão tem uma explicação, e é das coisas que mais confundem quem cria uma criança Projetora.
Energia emprestada
O Projetor não tem uma energia própria e constante. Tem acesso à energia de quem está à volta — e gasta-a como se fosse dele.
Numa festa, rodeado de outras crianças, tem combustível de sobra. Mas o combustível não era dele. Quando o grupo se desfaz, a energia vai-se com o grupo, e fica o cansaço de ter corrido a tarde inteira.
É por isso que ele não está a exagerar, nem a fazer fita. O corpo dele funciona assim.
Como se nota, idade a idade
Bebé. Cansa-se antes dos outros bebés e precisa de mais sono. Fica sobrecarregado em sítios com muita gente muito antes de isso parecer justificado.
Dos 3 aos 6. Observa antes de entrar na brincadeira, às vezes durante muito tempo. Não é timidez para corrigir: é a maneira dele de perceber o terreno.
Idade escolar. Um dia de escola com atividades a seguir é demasiado, mesmo que os outros aguentem. Se ninguém repara nele, começa a fazer coisas para ser visto.
Adolescência. Ou é reconhecido e floresce, ou desiste de se mostrar e fecha-se, com a ideia de que não vale nada. É o tipo em que essa diferença é mais brutal.
O dom que vem junto
O Projetor tem uma aura focada e penetrante. Vê as pessoas por dentro.
Percebe quem está mal antes de alguém o dizer. E diz-te verdades que desconcertam, para a idade que tem.
Esse é o dom dele. E é por isso que precisa de ser reconhecido, e não empurrado.
O sinal a que vale a pena estar atenta
O sinal de alerta de um Projetor é a amargura. Numa criança, soa assim: «ninguém liga», «não vale a pena», «eles nunca me escolhem».
Repara também num cansaço que não passa com uma noite de sono, em dores sem causa depois de dias com muita gente, e em palhaçadas para ser notado.
A amargura numa criança pequena tem quase sempre a mesma coisa por baixo: viu alguma coisa, tentou dizê-la, e ninguém reparou.
E se tu também fores Projetora?
Então conheces isto por dentro. Aguentas o dia todo e desabas às oito da noite, sem aviso. E dás conselhos certos que ninguém pediu, e que são mal recebidos.
Se o teu filho tiver uma energia constante que tu não tens, é ainda mais fácil passares o limite sem dares por isso. O mapa da família mostra como os vossos dois gráficos se encontram.
Para lembrar
Ele não está a exagerar. Está a correr com energia que não é dele.
Para saberes se o teu filho é Projetor, faz o gráfico dele: precisas da data, da hora e do sítio de nascimento. E, se quiseres ver o que fazer com isto no dia a dia — o sono, a comida, a energia, e o que se passa entre vocês —, é isso que está no relatório. Há um exemplo em PDF para veres antes.